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Investidores famintos por ouro ou dólar?

Quais são os ativos que respondem melhor aos períodos de incerteza econômica? Será que precisamos proteger nossos investimentos, a todo o tempo?

Podemos apontar sinais consistentes do aumento das chances de uma recessão global? O copo anda meio cheio e meio vazio, porém a ocorrência de fatos negativos e pulverizados por diversos países vem crescendo. Um indício importante é a possibilidade de retomada dos cortes nas taxas de juros ou de estímulo à atividade econômica pelos bancos centrais. Essas ações aumentam a percepção de risco, afinal os juros, nas maiores economias do planeta, já estão em níveis historicamente baixos.

Sentimento exacerbado pela tensão comercial entre EUA e China, um Brexit penoso e crises políticas, que vão se combinando para sustentar um ambiente adverso e favorecer alguns produtos financeiros que performam bem em momentos difíceis.

Se você tivesse investimentos no mercado de ações e pudesse voltar a 2007 e 2010, respectivamente os anos que antecederam os momentos agudos das crises americana e europeia, teria a oportunidade de adquirir títulos de renda fixa, títulos atrelados ao CDI, ouro e dólar.

Por que fazer essas compras? Crises que alcançam classe global empurram investidores para ativos líquidos e de baixo risco de crédito (menor chance de calote), que são capazes de sustentar, parcialmente, a rentabilidade da carteira por terem uma relação baixa ou até negativa com o desempenho das ações.

Veja que, em 2008 e 2011, a relação entre o ouro e o S&P 500, índice de ações americano, foi negativa (gráfico da esquerda), enquanto a rentabilidade positiva do ouro compensou, parcialmente, a queda do índice (gráfico da direita).

Você pode se perguntar. Mas eu não tenho ações de empresas americanas? Não esquente. Em especial nos momentos de crises agudas e globais, o Ibovespa, nosso índice de ações mais conhecido, fica ainda mais colado ao mercado americano, ou seja, se o S&P 500 cai lá, o Ibovespa cai aqui.

Historicamente, o ouro se move na direção oposta à das ações durante os períodos de recessão, mas ele não é exatamente uma opção de investimento. Está mais para um prêmio de seguro para proteger sua carteira contra os choques econômicos. O ouro não rende juros nem dividendos, é uma reserva de valor consistente e fácil de vender.

Fases sombrias vêm e passam e, apesar do estrago que podem produzir, não duram para sempre. Mesmo que sejamos fãs do metal dourado, não devemos exagerar nas compras. Mesmo quem tem investimentos multimilionários, deveria limitar sua exposição a 5% ou 10% e considerar a substituição do ouro por dólar, renda fixa ou, até mesmo, a compra de ações de empresas fabricantes de produtos básicos, que têm bom desempenho  nos estágios finais dos ciclos de expansão e garantem resiliência no meio das crises, já que, os consumidores continuarão comprando sua pasta de dente e sabonetes.

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