Como a inflação pode corroer seus investimentos?

Mesmo que você, caro leitor, não tenha vivido épocas em que a economia brasileira sofria com a inflação, é importante saber que a indexação, que impediu o completo naufrágio da economia brasileira no passado, ainda é uma pedra no sapato.  

Sinais remanescentes de indexação estão por todos os lados. Exemplos que saltam aos olhos vão dos contratos de aluguel, indexados ao IGP-M, mensalidades escolares e muitos serviços prestados. Uma conta rápida sobre a cesta de consumo usada para o cálculo do IPC-A mostra que, pelo menos 25% dos itens, sofrem algum contágio por indexação. A taxa Selic, nossa quase-moeda, que retira ainda hoje poder da política monetária, é outro exemplo dessa famigerada época de hiperinflação em que os preços andavam por inércia. 

Vivemos tempos menos dolorosos em que o som das máquinas de remarcação de preços nos supermercados é baixo. Mas isso significa que podemos deixar de lado a inflação quando pensamos em nossos investimentos? Não, absolutamente não, principalmente quando tratamos de investimentos de longo prazo, como os destinados à aposentadoria.

Qualquer nível de inflação corrói o poder de compra de nossa carteira de investimento, assim como as metas financeiras atreladas a ela, que precisam de ajustes ao longo do tempo. Pense, por exemplo, que você tenha escolhido como objetivo para aposentadoria, atingir o Nível 6 de liberdade financeira. Acesse nosso site e fale com um de nossos consultores para investir em sua aposentadoria

Então, digamos que você tenha 30 anos de idade e espere que, aos 55, possa começar a aproveitar sua independência financeira por 20 anos, mantendo o mesmo estilo de vida atual. Considere que, hoje, você vive com R$ 8 mil ao mês. 

O valor alvo para acumulação será próximo de R$ 1,15 milhão, como pode ser visto abaixo. Não se impressione com o valor. Além de uma carteira bem estruturada, lembre-se que o tempo, sua disciplina de investimento e os reinvestimentos periódicos ao receber os proventos das ações e os cupons de títulos, estão do seu lado.   

Com 21% da nossa renda, um percentual um pouco acima do indicado por uma das regras mais simples, mas não menos efetiva, para ajustar orçamentos familiares, a Regra 50/30/20 , conseguimos atingir o valor total que precisamos. Nessa regra, 50% da nossa renda, líquida de impostos, é gasta com necessidades, 30% com desejos de consumo e 20% são reservados aos investimentos. 

Considerei que você já tivesse uma carteira de investimentos de valor igual a 1 mês do custo do seu estilo de vida atual. Após a aposentadoria, você terá 20 anos para aproveitar sua renda de R$ 8 mil, já levando em conta um aumento médio dos preços dos produtos e serviços que vier a adquirir no futuro de 3,5% ao ano.  

Depois disso, o capital acumulado terá sido totalmente consumido. Se estiver pensando em deixar alguma herança oriunda desses investimentos, precisamos aumentar um pouco o valor mensal investido.

E o que acontece se a inflação subir?  

Qualquer aumento de inflação, seja no período em que estivermos acumulando capital ou no período em que você estiver usufruindo da renda, vai corroer o poder de compra dos R$ 8,0 mil que precisamos para manter o estilo de vida.

Precisamos, então, proteger o patrimônio.

Nosso objetivo é que o rendimento da carteira compense, ao menos parcialmente, essa alta. Mesmo assim, é bastante provável que tenhamos de fazer ajustes, ainda que temporários, nos aportes mensais, e auxiliar o cumprimento da nossa meta de independência financeira. 

Vamos imaginar um aumento de 1 ponto percentual na inflação anual, após 1 ano do início da nossa estratégia. Esse aumento é, parcialmente, compensado pela elevação do retorno da carteira de 9,5% ao ano, para 9,9%.

Uma boa carteira de aposentadoria tem alguns ativos financeiros que rendem mais quando a inflação sobe. Entretanto, às vezes, não é possível compensar inteiramente a alta da inflação. Assim, temporariamente, precisaremos ajustar o compromisso mensal de economia para R$ 1,92 mil. Quando a inflação recuar por ação do Banco Central poderemos reduzir o valor para próximo do que vínhamos economizando.  


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